“Quando você vir isso ficará radiante de alegria; cheio de emoção o seu coração baterá forte.
Um gênio - uma pessoa com dotes extraordinários - pode ser qualquer um, nosso filho, por exemplo. Mas o que faz uma pessoa ser superdotada? Os neurologistas dizem ser a formação do cérebro, nestas pessoas ele é maior, com menos espaços vazios e com divisão menos acentuada entre os hemisférios cerebrais. Os geneticistas acreditam que possa ser a mistura certa entre os genes dos antepassados gerando um ser com dons maravilhosos. Os espiritualistas dizem que são assom por serem encarnações de seres de luz, espíritos evoluídos em missão na terra. Qualquer que seja a resposta, devemos a eles todo o avanço da humanidade.
Muitas vezes as descobertas desses iluminados eram tão revolucionárias que seus contemporâneos não as aceitavam, sentiam-se insultados e até perseguiam e matavam esses descobridores. Existe um nível de conhecimento - como a água enchendo várias vasilhas interligadas - que, em cada época, é comum a todos os povos. De alguma forma o árabe, o indiano, o chinês, o europeu, todos, mesmo sem comunicação escrita ou oral chegavam às mesmas conclusões, tinham o mesmo nível de saber. Os gênios sempre tiveram a missão de elevar gradualmente esse nível comum de entendimento. Eventualmente, apareciam pessoas avançadas em lugares diferentes fazendo, ao mesmo tempo, iguais descobertas. Em outras, o conhecimento revelado por um desses seres era divulgado pelo mundo por mercadores, missionários, soldados ou menestréis. Algumas vezes a novidade espalhava-se como pelo vento, as mentes em lugares distantes uns dos outros compreendiam, ao mesmo tempo, o novo assunto. Porém, quando a descoberta era para ser percebida nos séculos à frente ficava adormecida até o momento certo.
Não havendo registros do que se fazia entre 7.000 e 30.000 anos aC, muito menos de quem os fazia, temos de entregar os louvores e a glória de tais indivíduos à justiça divina. Porém, antes da história que se iniciou em 6.000 ac, quantos personagens maravilhosos contribuíram para o que somos hoje! A descoberta do controle do fogo, da confecção dos tecidos, da utilização da roda, a invenção de ferramentas: do serrote, do martelo, da faca, do arado. Quanto nós devemos aos que aprenderam a domesticar e utilizar o serviço dos cavalos, dos bois, do cão, das ovelhas! Tudo foi muito difícil para eles já que a humanidade ainda não tinha os insightes para lidar familiarmente com essas idéias. Era assim, no meio do grupo, um homem ou uma mulher, um jovem ou um adulto percebiam a maneira de lidar com uma situação antiga de uma forma inovadora. Como eram essas pessoas? Com certeza eram curiosas, tinham que ter fé e persistência, precisaram ter coragem e certa dose de ambição, junto com a determinação e o sonho. Estas eram as características dos indivíduos que nos ajudaram a evoluir.
A escritora, Dinisen, no seu livro A Fazenda Africana diz sobre os indivíduos geniais: “A natureza tinha dado, aqui, um salto e se afastado da ordem natural de faculdades e talentos, e a coisa se tornava mística e inexplicável, como sempre há de ocorrer quando lida com um gênio”.
Vamos falar muito mais sobre os gênios pós-história, apesar de alguns terem apenas aprofundado o que já se usava. É deslumbrante ver, também, a dança do conhecimento científico indo de uma nação para outra, de um extremo do mundo a outro. Algumas vezes, durante séculos, um mesmo povo produz diversos sábios em vários campos da ciência. De outras o saber espoca, ora num povo ora noutro, em indivíduos especiais. Em alguns casos uma nação é fértil em pesquisadores de determinada ciência e nula nas outras. Certos povos serviram como guardiões do saber sem acrescentar nada a ele, outros foram divulgadores levando os novos conhecimentos para terras longínquas e trazendo de lá novas descobertas. Houve ocasiões em que o conhecimento ficava estagnado ou retrocedia, o homem perdendo grande parte do seu avanço.
Também é preciso lembrar que raros gênios foram bons em diversas ciências. Nenhum o foi em todas. A maioria era especial em uma matéria ou duas na mesma área, ex.: físico e matemático, nas exatas; médico e político, nas humanas. Tudo isto vamos apreciar ao descerrar a contribuição de cada gênio.
Nem podemos deixar de mencionar como o nosso próprio planeta é muitas vezes responsável pelo desenvolvimento do homem, dando condições para estudo, pesquisa e descoberta de novos conceitos. Quando o clima da Terra torna-se inóspito, com falta de chuva ou com frio muito intenso a produção de alimentos diminui, o ser humano gasta mais tempo preocupado com a própria sobrevivência, o corpo sem a quantidade necessária de comida fica fragilizado, vírus e bactérias encontram um habitat favorável ao desenvolvimento e surgem as epidemias, as pestes, uma após outra dizimando muitas vidas, cortando a existência de um indivíduo que seria um gênio ou dificultando de todos os modos o desabrochar dum ser inovador. Assim aconteceu por séculos antes do ano 1000 e de modo inverso nos séculos que se seguiram, em que todas as condições se tornaram favoráveis e o conhecimento voltou a se multiplicar.
O professor Nicolau Sevcenko, doutor em história pela USP, assim define os homens e mulheres que guiaram a humanidade em seu caminhar para uma vida mais digna: “tiveram que suportar, ao mesmo tempo, a atração e o medo do desconhecido, tiveram que acreditar em si mesmos e em seus semelhantes mais do que em entidades sobrenaturais, tiveram que enfrentar todos os riscos de desbravar novos conceitos e de suplantar o choque de valores completamente diferentes do que conheciam até então”.
A forma cronológica como foi montado este trabalho nos permite perceber o pensamento predominante e o grau de conhecimento na política, na filosofia, nas ciências e nas artes que o ser humano possuía em cada época histórica. Os textos entre aspas e em itálico são citações do próprio personagem, suas opiniões expressas em suas próprias palavras.
Neste trabalho elaboramos 3 índices alfabéticos. O de Assuntos trata dos temas mencionados - os números à direita da palavra referem-se ao número de cada personagem na ordem cronológica em que aparece. No de Ciências a numeração é pertinente aos gênios que se destacaram em determinada matéria de estudo e é essencial para quem quer se aprofundar em uma cadeira acadêmica. O de nomes mostra o nome pelo qual um gênio era conhecido e torna mais fácil procurá-la. Isso sem mencionar que a própria obra é um índice dos gênios por ordem cronológica.
Desejamos que a descrição dos grandes feitos humanos e de seus autores seja informativa e inspiradora, e que sejam sementes frutíferas em muitos corações e mentes.
J. A . P. Souza
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