1 IMOTEP 2680-2606 a.C. Este homem foi ao mesmo tempo: sumo-sacerdote, vizir e conselheiro do Faraó, escultor, arquiteto e médico. Em todas estas ciências foi profundo conhecedor e inovador. Teve a boa sorte de viver numa época de intensas mudanças no Egito e de participar delas. O país que possuía até então uma administração descentralizada com cidades-estado autônomas passou a ter, sob o Faraó Djoser, um governo absolutista e teocrático.
Os egípcios eram um povo festivo, gostavam de cantar, dançar, usavam o khol (tinta preta) para pintar em torno dos olhos, colocavam rouge no rosto, perfumavam-se e usavam jóias (as dos ricos eram feitas de metais preciosos como o ouro; a dos pobres eram bijuterias de barro, madeira, ossos e cristais). Cercados pelo deserto por um lado e pelo mar do outro, rodeados por inimigos que invejavam suas cidades e riquezas, os egípcios buscavam a segurança na vida religiosa, na confiança em seus deuses e na vida após a morte. O rio Nilo era o regulador de suas vidas, pois em suas enchentes periódicas que faziam as águas se espraiarem por vastas áreas, residia a fertilidade do solo que precisava ser aproveitada logo que as águas baixassem, arando, plantando e colhendo no tempo certo, antes que outra enchente destruísse as colheitas. Isto requereu uma organização de administradores em cada aldeia e em cada região, controlados por uma forte chefia central (que, em seu tempo, estava enfeixada nas mãos de Imotep) que cuidava da formação de engenheiros e planejava seu trabalho que incluía: construção de canais de irrigação, pontes e aquedutos. Os administradores dirigiam um exército de apontadores que registravam a área plantada, a época, e a quantidade de sementes usadas por cada agricultor, também anotavam a produção colhida, onde foi armazenada, a parte que foi para o governo regional e o imposto destinado ao Faraó e ao governo central. Estes funcionários que dominavam a arte da escrita e da matemática eram os escribas. O trabalho dos agricultores era árduo, porém tinham fartura de alimento e encontravam tempo para decorar suas casas com pinturas florais muito festivas.
Nesta época começou o costume de recrutar muitos agricultores para a construção das pirâmides e das novas cidades, mas a maioria dos operários era constituída de escravos, prisioneiros dos povos conquistados pelos egípcios. O governo de Imotep incentivou o treinamento de escribas o que tornou a literatura de seu povo mais abundante que a dos gregos e dos romanos muitos séculos depois. Os poemas que falavam de amor mostravam a mulher como a que tomava a iniciativa na relação, elogiando a beleza do amado e convidando-o a desfrutar as delícias de sua mulher. Elas possuíam direitos legais e, na separação, geralmente ficavam com tudo, além de a herança para os filhos vir pelo lado feminino. A prosa egípcia valorizava os longos cabelos das mulheres, o corpo esguio e os vestidos justos mostrando suas belas formas.
Imotep, como sumo-sacerdote, contribuiu para manter esta situação manobrando para que o novo deus Ra fosse adorado em todo o país acima dos deuses regionais, para isso, construiu a cidade de Heliópolis. Era um costume antigo honrar os dignitários com o sepultamento em uma mastaba, um túmulo grandioso em forma de salão. Para mostrar que o Faraó estava acima de todos, ele imaginou uma pirâmide em forma de degraus, construída com a superposição de sete mastabas tendo na base 125m x 104m e alcançando a altura de 62m - monumento que existe até hoje no complexo de Saqqara. Seu projeto arquitetônico sugeria a idéia da ligação que o Faraó fazia entre o mundo material e o espiritual e seu poder absoluto. Este complexo funerário da 3ª dinastia representou um avanço imenso na forma de construir monumentos em homenagem aos mortos. Foram os primeiros a serem construídos com pedra calcária, ao invés de barro e madeira, já que o ser humano havia dominado o corte das pedras e seu cinzelamento. Porém ainda estava longe o tempo em que os mestres construtores conseguiriam fazer um cômodo enorme com cobertura apoiada nas paredes. Aquelas pirâmides eram completamente sólidas, sem espaços interiores apesar de que já faziam corredores abaixo da pirâmide com câmaras cortados na pedra macia. A função desses edifícios era mais simbólica, invocava poderes mágicos e, para os sacerdotes que incutiam isto na mente do povo, significava uma ligação com o mundo dos deuses. Um exemplo dessa finalidade eram as portas falsas, pedras esculpidas e colocadas parecendo portas, mas que não levavam a nenhum cômodo e foi mais um aviso de que aqueles monumentos não eram para ser invadidos pelos vivos, mas para uso exclusivo dos defuntos na sua passagem para o mundo dos mortos. As novidades maiores ficavam em seu exterior. Uma área de 15 hectares, o perímetro da pirâmide, foi todo calçado de lajes de pedra e construídos: terraços, capelas, templos, plataformas, quartos para habitação e para depósito de ferramentas e salpicado de estátuas.
O complexo de Saqqara tem como única pirâmide o templo de Djozer, as outras construções não chegaram a subir, ficaram só nos alicerces e foram cobertos pela areia. Naqueles edifícios planejados por Imotep não havia decorações, tão somente algumas pedras foram esculpidas para parecerem madeira. Colunas que não tinham nenhuma serventia de sustentação eram trabalhadas para se parecerem com hastes, folhas e flores do papiro.
Como médico, Imotep, codificou as formas tradicionais de tratamento das doenças e tornou-se famoso usando o diagnóstico pela apalpação dos órgãos, pela auscultação do coração e a detectação das doenças pela observação da íris. Ele listou no papiro Elbes várias substâncias para serem usadas como remédios: o mel, a cevada, o aloé, a cebola, o azeite e o ópio. Sua glória aumentou depois da morte. Seu túmulo, em Saqqara, tornou-se um santuário ao qual acorriam doentes de diversos países para a cura de seus males – 1500 anos depois ele foi incorporado à mitologia grega como deus da medicina, Asclépio, e como herói, Dédalo, construtor do labirinto de Creta. Sua obra é um testemunho do início da caminhada do ser humano para grandes conquistas. Sua pirâmide de degraus foi imitada por outros povos, como os semitas e os maias. www.insecula.com/contact/A004042.html
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
IMOTEP 2680-2606 aC
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